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sábado, 20 de agosto de 2011

Uma paixão chamada CAFÉ

Nascido em Ribeirão Preto, terra do café e radicado desde pequeno em Marília que também no passado foi grande produtora de café, sempre teve em sua vida a presença forte desta bebida inesquecível. Desde o café com leite de todas as manhãs (infelizmente substituído pelos pais de hoje pelo achocolatado), do café da tarde fresquinho passado em coador de pano pela minha avó Diva e servido em bules até o perfume do cafezal florido nas fazendas e estradas da região.

Café Kona ou Globinho.

Lembro-me daquele moedor da padaria do meu tio português com balança de 250 e 500g que fazia um barulho infernal, mas enchia o ambiente com o aroma de café moído na hora.

Essa paixão contida veio à tona novamente nos últimos anos me acostumando com o sabor do café sem açúcar, tudo culpa de dona Eunice Albertoni que sempre tem em sua casa um café torrado e moído por ela, café de Franca, região de Ribeirão Preto, como ela e o “seu” Otávio sempre dizem:

“- Toma sem açúcar menino, é da Franca do Imperador!!!”

E essa “catequização” facilitou e acelerou o aprendizado sobre cafés.

Pois convenhamos, no começo é estranho e difícil saborear a bebida sem açúcar.

Em viagens dentro e fora do Brasil pude conhecer em outras culturas os estilos e modos de fazer e consumir o café.

Rituais específicos para cada forma de preparo!

Das cafeteiras elétricas (drip coffee) tradicionais, passando pela moka italiana (que se coloca diretamente sobre o fogão, conheci a french press (com êmbolo) e a instigante cafeteira globinho ou Kona que mais parece uma aula de laboratório de química (presente do meu querido tio e padrinho José Vitor Alexandre, legítimo português) e finalmente a Ferrari das cafeteiras, a espresso.


Um espresso "direto".

Espresso com “s” sim e não com “x”, pois “espresso” em italiano significa “sob pressão”, já em português, o termo “expresso” significa rapidez, aliás, outra confusão comum é quanto ao termo “barista”, que não aquele que trabalha em bar, surgiu sim pelo emprego do termo BAR que se refera a pressão das máquinas de espresso, no mundo inteiro a designação de barista passou a ser usada para os profissionais que atingiram um nível superior de conhecimento no preparo de bebidas. É o equivalente ao sommelier do vinho, para o mundo do café; um profissional altamente habilidoso, capaz de identificar os mais diversos matizes e variações na degustação da bebida final, preparar a bebida corretamente nas mais variadas formas de preparo, além de ser capaz de desenvolver cartas de drinks próprios. Deve ser profundo conhecedor de todas as fases da vida do café, desde o cultivo da planta, etapas de processamento e beneficiamento do Grão, processos de torra e moagem, além, é claro, dos detalhes processos de extração da bebida, seja em máquinas de espresso ou em outros métodos de preparo.

Eu sou apenas um Connoisseur, que apesar de significar conhecedor, perito ou expert, me auto defino apenas como um curioso que tenta repoduzir em casa o sabor, aroma e o prazer de uma cafeteria.

Após conhecer grãos de marcas, torras, moagens de procedências diferentes, minha preferência ainda é pelos cafés produzidos na américa latina, especialmente os de regiões tropicais e de altitude como os da Colômbia, Perú e Brasil é claro, os quais na verdade, compões grande parte dos blends vendidos no mundo afora.

 
Café do Leitor.

Gosto mesmo é de tomar um bom café e compartilhar desse mundo enigmático de sabores e aromas que tantos já cativou e cativam diariamente.

Descobri em nossa cidade um local onde tudo isso pode ser explorado, debatido e compartilhado, o Café do Leitor das Lojas Milani, onde entre espressos e capuccinos, caffee latte e espresso machiato saboreia-se ainda xícaras de cultura, aromas de poesias e os sabores da paixão.

(Ricardo Petruzza do Prado)