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quinta-feira, 8 de março de 2012

Vai um cafézinho solúvel aí ?!?!

Pois é, está estranhando ?
Um aficionado por café oferecendo café solúvel ?
"CAFÉ SOLÚVEL ???????" Argh!!!
Então, vou contar fato ocorrido em 2009. Tenho dois primos que além de irmãos, militam na mesma atividade, são pilotos de avião e da mesma empresa, um deles o mais jovem faz vôos internacionais para a américa do sul e central.
Numa conversa com ele, pedi que caso tivesse oportunidade, que me trouxesse um pacote de café da Colômbia, da Venezuela ou ainda do Perú. O tempo passou e um dia ao visitar minha querida tia madrinha Claudete, ela se lembrou que meu primo Paulo havia trazido o meu pedido, um café da Colômbia. Fiquei muito animado e enquanto ela buscava a encomenda, me senti feito um menino que espera o presente de natal. Porém ao receber em mãos o tão esperado café, o dito cujo nada mais era do que um vidro de café solúvel.
Entre caras de desapontamento e frustração, não dei a devida atenção ao presente recebido. Ao chegar em casa guardei-o junto com o outro vidro de café solúvel, porém ordinário, para que fosse consumido numa emergência.
Meses depois, quando fui preparar a pedido de minha mulher, uma xícara de café solúvel com leite, no microondas, (Preguiça pouca é bobagem), vi que no café solúvel ordinário não restava mais que 1/2 colher de café e que não daria literalmente nem para o cheiro.
E ví então aquele vidrinho diferente pedindo para ser aberto e consumido, foi o que fiz e já ao abrí-lo senti no aroma uma grande diferença, o que me chamou a atenção para observar a coloração dos grânulos que eram dourados e não pretos como o de costume, sinal aparente de uma torra mais leve. O que me fez após o preparo da xícara, fazer o que nunca tive vontade de fazer, provar!!!


E fui surpreendido com um sabor suave e ao mesmo marcante, não tão ácido e se assemelhando mais a uma xícara real de café.
O que me fez finalmente ler o rótulo e as características daquele surpreendente café instantâneo.
Se tratava de um Juan Valdez, colombiano, 100% arábica e liofilizado.
Taí, descobri então o motivo de tanta diferença encontrada em uma única xícara de café solúvel.
Vamos por partes:
Café Colombiano

Café colombiano: Nosso maior concorrente pois pela altitude das plantações, temperatura, qualidade dos grãos (dizem que foi um café desenvolvido no IAC- Instituto Agronômico de Campinas que dá uma bebida melhor, mas que demora mais para começar a produzir e que os produtores brasileiros não quiseram arriscar e esse grãos foram parar na Colombia) e também pela forma artesanal de produção e beneficiamento, fizeram e fazem a fama do café colombiano.

Juan Valdez o café ou o mito ?
Juan Valdez: O personagem Juan Valdez foi criado em 1959 tem o objetivo de promover toda a indústria cafeeira colombiana, que ultimamente vem importando café brasileiro para preservar sua exportações, podendo assim suprir o mercado interno sem deixar de exportar.
O todo Poderoso Bruce invoca Juan Valdez para seu café da manhã.
Tem uma cena hilária no filme O Todo Poderoso (Bruce Almight) com Jim Carrey, onde Juan Valdez entrega um Mug ccom café colombiano ao Bruce. Assim é que se contrói um mito, até Hollywood vale para aumentar o consumo do café colombiano.
Café arábica

100% arábica: Sim, é o que está escrito 100% café arábica. O que em si justifica o preço bem mais salgado por um café solúvel.
E o mais interessante de tudo.....
Juan Valdez Solúvel Liofilizado
Liofilizado: Bom, o café solúvel nada mais é do que a extração de forma concentrada de um café classificado (não necessáriamente de qualidade ou gourmet, mas sem impurezas), despolpado, torrado e moído que depois é desidratado e granulado para depois ser reidratado em sua xícara com água ou leite.
Já o processo de liofilização além dos citados acima, tem ainda um processo de resfriamento e congelamento e posterior liofilização, que é um processo de aquecimento que não chega a descongelar os granulos, porém os cristais de gelo do processo de congelamento passam do estado sólido para gasoso diretamente, processo físico denominado sublimação. Todo cristal de gelo é removido do extrato de café, e em seguida condensado a uma temperatura de –45ºC, após um ciclo de aproximadamente 8 horas, o produto final estará seco, ou seja, com uma umidade residual < 4%.
O processo de liofilização aumenta generosamente o rendimento do café. Assim, com a mesma quantidade de pó solúvel obtém-se mais xícaras do que com o tradicional café torrado e moído, representando considerável economia no bolso do consumidor, além de conferir maior sabor e aroma, pois a liofilização conserva estas e outras características dos alimentos, não é a toa que este processo foi e é utilizado até hoje no preparo dos alimentos para os astronautas, militares e, é claro, pelos amantes dos esportes de aventura.
No Brasil, algumas marcas já produzem o café solúvel liofilizado, normalmente com rótulos e tampas cor de ouro ou bronze  assim como os grânulos ou verdes, para lembrar que alguns são orgânicos. Vale a pena ler os rótulos e mergulhar nesse novo sabor que tradicionalmente soava como um quebra-galho, e hoje é mais um quebra-tabu.

Hoje, faço para a esposa e filhos e também para mim, sem aquele preconceito de antes, um delicioso café com leite ou ainda aquela sopinha de pão da vovó com esse magnífico café produzido por um autêntico processo científico.
Obrigado primo Paulo por abrir meus horizontes com relação ao café solúvel, sei que não foi caso pensado mas funcionou, mas se você se lembrar de mim, pode trazer café em grão, pois meu moinho está ávido por triturar o café da concorrência.

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